A nova loira de Copacabana.


Sônia se sentia sozinha novamente. Todos os seus sonhos foram despedaçados neste ano que tinha acabado de nos deixar.

Perdeu o namorado, alguns projetos de trabalho falharam e agora não tinha algo a ambicionar, seu filho crescia a cada dia, seu orgulho, tudo estava dentro das expectativas.

- Vou pintar meu cabelo... - disse a si mesma enquanto apreciava as vistas do calçadão de Copacabana, em um dia quente de verão. - De que cor pode ser dessa vez?

Sônia já tinha pintado o cabelo de ruivo, castanho claro, castanho escuro, feito mechas e luzes, seu cabelo já fora negro como a noite, e quando fora mais nova, se aventurou entre as cores, tiveram tons de roxo, azul  e até mesmo cor de rosa.

Ela pintava suas unhas semanalmente, de acordo com aquilo que sentia. Se sentia-se sexy, usava cores vibrantes e chamativas, se sentia-se tranquila, usava tons mais claros, quando se sentia mais firme e segura de si, usava tons fortes e terrenos.

- Acho que serei loira dessa vez... - Ela imaginava como ficaria enquanto escolhia o tom da tinta na prateleira.

"O cabelo loiro atrai todo tipo de mulher, desperta o desejo nos homens e não sai da cabeça das celebrities. Pronto! Você já tem três bons motivos para ficar loira no próximo verão."

Era oque se lia na caixa do produto, Sônia nunca acreditara naquele tipo de propaganda, achava juvenil e uma forma de captar clientes desesperadas. Quem gostaria de ficar bem para um homem? Ela era uma mulher forte, havia construído sua carreira, com muito esforço, já tinha um filho, o qual criava sem ajuda de um pai, tinha grandes ambições e interesses, gostava de ficar bem para si mesma. Apenas para si.

Solidão, ela pensava, que era uma das poucas coisas que se sentia quando se tinha uma vida como a dela. "Homens não apreciam mulheres poderosas é o que dizem, gostam de mulheres frágeis e manipuláveis e eu não sou assim."
Apenas algumas vezes, Sônia, gostava de ser apreciada. Gostava que não existisse apenas ela mesma, gostava de olhares vindos do canto dos olhos, gostava de sorrisos compartilhados durante a noite, gostava de sair para beber e se divertir, por que além de mãe e empresária, ela era uma mulher.

"Se eu fosse um pouco diferente..." ela refletiu enquanto colocava as tinturas de volta na prateleira. Diferente ao menos para si, era a resposta que procurava ao meio de seus pensamentos. Se pudesse olhar para si e ver alguém diferente na manhã seguinte, talvez fosse mais feliz.

Pegou uma caixa de "Margarine Blonde", avançou ao caixa e saiu dali, pela manhã seria a mais nova loira do Rio, com seus cabelos dourados dançando ao vento encantando homens e mulheres por alguns momentos.

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