Príncipe dos Cavalos

Aqui estão todos os poemas da história, juntos:
Knight by http://sakuramitsukai.deviantart.com/

Príncipe dos Cavalos
Parte I - Do Agora

Das mentiras sobre mentiras
Das tuas estorias, poemas e escrita eu fugi
Para lhe dizer que não serei
mais devota a ti meu amor..

Tudo o que fiz
Foi viver de ti
E não é o suficiente para que seja feliz
Tenho que dar-me inteira para que seja meu senhor.

Decidi pela penitência de viver contigo
Esse carinho esvanecido
Meu anjo ferido,
Que do inferno se levantou.


Submissa e discreta
Sem opinião, sob tuas regras
Faz de mim o que fizeram contigo
Por que assim eu permito
Pois sou tua todas as vezes que desejou.

E do seu desprezo ao meu afeto
Do desapego que se fez decreto
Não posso mais viver por ti
e esquecer o que tem valor...

Parte II - Daquilo que passou

Um sonho que parecia ser real
Uma ilusão que não podia se quebrar
Tudo não tem fim
Nessa historia que não pode acabar

Do medo quero me livrar
Crescer, crescer e nunca mais voltar
A ser aquilo que eu devia ser
Condicionado na morte da minha vida.

Das pequenas partes me faço completo
Vivo de idéias e do desafeto
Contra a ordem do mundo
Errando sempre com você, eu vou...

Me deixe ser eu todas as vezes
Seja você e me complete dentro de mim
A escuridão teve fim
No dia em que eu te encontrei..

Deixe-me ser você
Eu te ensino a ser eu
E podemos enfim juntos viver
Na glória da nossa criação.


Parte III - E aquilo que não volta

Uma vez senti
Tudo aquilo que permiti
Infelizmente o que aconteceu
Foi que em pedra tudo se transformou

Pensei em recuperar
tudo aquilo que vivi, mas aos poucos percebi
Que o que vira pedra
Somente se quebra
E não pode voltar a existir...

Durma agora Vogelscheuche
A libélula foi morta
Sentiu o cheiro da derrota
E no mar a aventura se acabou.

Fomos tudo aquilo que podiamos ser
Um para o outro não voltar
O veneno da vida condicionada
corre em nossas veias...
Não sobrou sangue nenhum
Para que se possa derramar...

E a solidão nos consumiu
E na terra em que nada se plantava
O medo cresceu
E nós não podemos ser mais nada
Eu e você somos nada...
Perdidos nas idéias que devoraram nosso mundo..

Parte IV - Principe dos Cavalos

Espantalho, Anjo, Prostituta,
Você mais Outro nesse mundo.
Principe dos Cavalos
Com tuas idéias encanta e inspira
Dentre todos é aquele que domina..
Bem, manipula é o mais certo a dizer..

Teus pensamentos nos absorvem
Tuas palavras viram sonho
E desejo por ti é só o que se pode ter
Pois te ter de fato ninguém nunca teria
Como escrito, nunca permitiria
Então quando te encontram você faz tudo para se perder..

E eu te amo?
Ou só penso que sim?
Não sei se acredito,
Estou presa em um feitiço
E não consigo te encontrar,
Me encontrar! dentro de mim...

Tu és Rei e não Principe
Seguindo tua propria lei
Rasgando tudo aquilo que sei
Entrando aonde não deveria entrar
Me trazendo um novo destino
Causando novos conflitos
E me deixando sem ter para onde me guiar...

Principe dos Cavalos
Com tuas idéias encanta e inspira
Dentre todos é aquele que domina
Peça e será seu, dou-lhe tudo o que quiser
Mas não me deixe sozinho para andar nesse caminho
Eu lhe suplico! Venha a mim como vier... 


Regnum Inferis - Primeiro Ato


Ela vomitava palavras,
Para que uma vez,
a história seja reconstruida.
Entre letras, lembranças e lágrimas,
Um castelo ganhava vida...
Era uma vez um Príncipe...
Parecia ser um Anjo,
Mas não passava de uma Prostituta,
Que Espantava os corvos negros
Apenas com seu Silêncio.

O ceifador sinistro vinha
Buscar a alma para o perpétuo descanso
Deste Príncipe amaldiçoado,
torto, incompleto e abalado
Que se perdeu em seus próprios encantos

Pouco antes de ser levado
para seu sono infindável
pelo impiedoso segador,
Baixas vozes ecoaram em seu ouvido
Como uma brisa leve e de ritmo suave, elas repetiam :

"Descanse príncipe querido,
Descanse sobre as camadas de terra que em ti jogamos
Deixe penetrar em seu corpo,
criar raízes em sua alma
Que tudo logo se acalmará
E então resurja caído do céu mais uma vez
Para seu reino então salvar."

Grandes portões a sua vista,
E com apenas um Toque,
o príncipe era bem-vindo.
Com sua visão louca, imprópria e distorcida
Via o reflexo do céu no espelho infernal.

Muros cada vez mais altos cresciam
Em volta da Torre que jazia soberano,
Ninguém podia entrar ou sair.
Tudo se fechara, quanto mais sua alma se afundava
nas entranhas do submundo.

Ao lado de seu tumulo,
Uma metade bruxa e uma metade anjo
Incansáveis corpos,
que aguardavam pacientemente
dias e noites, pelo retorno dos cavalos.
Ambas com distintas fés faziam uma única prece
Para que aquele descanso não fosse eterno
Com as simples palavras que entoavam:

"Descanse príncipe querido,
Descanse sobre as camadas de terra que em ti jogamos
Deixe penetrar em seu corpo,
criar raízes em sua alma
Que tudo logo se acalmará
E então resurja caído do céu mais uma vez
Para seu reino então salvar."


Sanguis Cor Saucium - Segundo Ato


Entre nesta casa torta,
Sinta sob seus pés sujos e descalços
As feridas ainda pulsantes
De um coração que não sabe ficar calado.

A dor que entra vai até o fundo do peito
Bate, se instala, se queda e fala
Ecoa em um escuro vazio da alma
Se atentando em se fazer sempre presente:

"Ele enfiou a mão
Se afundou e destruiu 
todo o todo
Para que jamais fosse se completar.

Tirou meu coração 
Jogou no chão
Fez mais que um sacrificio
Não chorou quando começou a pisar

O sangue do coração ferido 
Tornou-se seu verdadeiro e único vício
Que chora e implora
Para que não possa matar."

O Maldito Príncipe das Trevas
A cada dia se fortifica
Presas e garras agora é o que ele tem, 
E da morte sempre se esquiva e derrota.

O Maldito Príncipe das Trevas
É assim que o chamam
Quando traz dentro de si a escuridão
E a dor aumenta e nunca se finda.

As asas do anjo do inferno caíram
A princesa e a bruxa já não estão no caminho
Seus cavalos não estão aqui,
A mariposa deixou de existir

E a música-poesia em breve se cala
Por que a luz já não está mais clara
E tudo aquilo que se apaga
Não mais se queima ou volta ao seu lugar.

"Com o segundo coração
Que odeia seu irmão
Rasgou toda a sensação de vida
Se afundou e destruiu 
Todo o todo
Por que já não quer mais voltar.

Tirou meu coração
Jogou no chão
Fez mais que um sacrifício
Para que pudesse acreditar
O sangue do coração ferido 
Tornou-se seu verdadeiro e único vício
Que se debate e chora
Para que não possa matar."

*Poema-Base: http://asereiaeoespantalho.blogspot.com/2010/09/meu-segundo-coracao.html

Citeria Melodia - Ato Final
E este é o momento final da batalha criada no Reino em que tudo se resumiu em nada.

Três atos foi o que bastou
Três atos e se findava tudo aquilo que restou
Histórias, criações e derrotas
O Reino dos Cavalos finalmente terminou.

Elas observavam enquanto a destruição acontecia
Olhos encharcados com o sangue e sal misturados
vendo o castelo quebrado
Em que seu príncipe querido dormia.

Não podiam fazer mais nada
Elas tinham se tornado nada
Naquela ilusão que um dia podiam acreditar
Que ali existia vida.

A procura do renascido elas sairam
Aquele que havia prometido
Eternamente amar e jamais abandonar
Dormia em outro corpo desconhecido.

Por aquela noite ali jazia outro homem perdido
Coração e alma já não estavam mais vivos
Uma marionete bruta e calada engolia aquele silêncio
Que um dia entorpecia e agora mudava de ritmo.

A melodia do palhaço...
O piano e o passo descompassado
O violino desacordado
A oração e a perdição do demônio que te consumia

E pequenas elas desapareciam...

Nas areias do tempo...

Do seu verdadeiro desejo...

No imenso mar sem fim...

A realidade se distorcia...

Para que nunca mais pudesse enxergar...

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