Transformação
A ideia inicial deste blog era jogar no "papel" todos aqueles sentimentos não resolvidos que eu tinha desde a adolescência, se você, caro leitor, voltar atrás nas postagens, encontrará uma série de poemas tristes sobre amores partidos, sobre desentendimentos em família, sobre paixões não correspondidas e analogias sobre minha vida como ser a mariposa na lua.
Por alguns momentos eu me esqueci daqui. Eu parti, deixei me levar pelas ideias, me afoguei em pensamentos e quis fugir daquilo que realmente sou: Eu sou pura emoção. Eu choro até me engasgar em lágrimas, eu rio até perder o ar, eu sinto raiva como se eu fosse virar o Hulk. Eu mudo constantemente e sei que tudo bem. Tudo bem ser pura emoção, porque é o que o ser humano é, mesmo quando esquecemos de nossa essência.
Precisamos da razão para equilibrar aquilo que somos, aquilo que temos por dentro e não sabemos como controlar, mas a razão é algo que nos é ensinado, não é inato, não é próprio do ser humano agir com razão. Aprendemos ao longo dos anos que mesmo sendo pura emoção, podemos ter a reação certa para cada momento. A intensidade do que sentimos não diminui, não muda, mas escolhemos como demonstrar e aí começa a sua transformação. Aí começou a MINHA transformação.
No meio dessa transformação me lembrei da paixão que tinha pela escrita e leitura e refleti nos motivos que tive para parar de escrever: acreditei que não valia a pena expor meus pensamentos e sentimentos em um mundo onde sentir parecia um risco à vida.
Aos poucos fui deixando de ser eu mesma buscando me encaixar em conceitos que não me cabiam, ou eu que não cabia neles; olhei para essas grandes caixas que nos classificam e nos separam e resolvi destruí-las. Não quero mais saber dos rótulos, não quero mais conter aquilo que sinto, quero mostrar quem eu sou, quem eu me tornei ao longo do tempo.
Eu não sou mais a jovem triste que se sentia uma prisioneira no início desse blog. Eu estou livre. Eu me libertei das correntes que me faziam sentir menos do que realmente sou e escolhi não deixar ninguém mais me fazer sentir assim.
Agora, leitor, não pense que eu transcendi alguma barreira espiritual - ao menos, não ainda - e que me tornei uma espécie de Guru da vida. Não, isso não aconteceu. Eu sou livre, porém ainda humana, e reconheço minhas falhas e erros ao longo do percurso, tenho muito a aprender para chegar naquilo que desejo ser, mas poder escrever aqui, abrindo minhas ideias e sentimentos a vocês, mesmo que seja meia dúzia de vocês, é o caminho que escolho para ser mais feliz.
Espero voltar mais vezes.
Com carinho, Jéssica.


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