Reencontro

Estamos aqui mais uma vez. E eu imagino a seguinte situação: Depois de anos nos conhecendo, nos melhorando e nos entendendo, finalmente conseguimos nos ajeitar.
Demos passos pequenos, construímos nossa relação de novo. Conseguimos conversar, nos respeitar, rir juntos e até ficar próximos um do outro. E finalmente resolvemos nos encontrar. Só nós dois. Como costumava ser entre nós.
Saímos, vamos para um lugar público para manter tudo mais impessoal. Nada de cinemas, nada de ir em casa. Nada de lugares que podemos ficar próximos demais.
Sentamos. Conversamos. Sorrimos. Você está bem, eu estou bem. Não temos mais aquela pressão entre nós. O medo de se machucar passou. Estávamos um pouco ansiosos, mas logo voltamos ao normal, afinal já nos conhecemos há anos! Não tem nada de errado, somos amigos. Algo como uma refeição ou um café juntos não faz mal. No final do dia. Nada de noite.
Levantamos da mesa. Caminhamos pela rua. Está frio. Deixo minhas mãos distantes das suas. Coloco-as nos bolsos da minha blusa. Continuamos conversando. Sorrimos. Sabemos que superamos muita coisa. Eu encosto minha cabeça em você num sinal de alívio. Finalmente está tudo bem. Você me beija. E eu retribuo. Não conseguimos controlar muito bem a vontade um do outro. Tento me convencer de que só um dia não vai nos fazer mal. Começo a chorar sem perceber. Você pergunta se está tudo bem. Eu digo que sim, mas não podemos continuar. Você me pergunta porquê, se está tudo bem, não há motivos para nos contermos. E eu te digo que eu adoro seu beijo, eu adoro seu abraço, adoro sua companhia, adoro a maneira que me toca e como me faz gemer e chamar seu nome. Adoro sentir você na minha pele. Adoro deixar marcas de unha nas suas costas, adoro te chupar e te ouvir sussurrar meu nome. Eu adoro ter você entre minhas pernas e sentir você me puxar para mais perto como se já não estivéssemos dentro um do outro o suficiente. Adoro mergulhar em você. E eu queria tudo isso... O único problema é que eu queria isso tudo para a vida toda e você quer só por esta noite.
Você faria uma cara de quem não estava entendendo o que estava acontecendo e eu te diria a verdade. Te diria que te amo, como amei ao longo de todos estes anos. Te diria que eu cresci, mudei e entendi que relacionamentos não são contos de fada. Que não são como filmes. Filmes expressam desejos e não a realidade. E diria que eu sabia agora como agir com você, e diria que sabia que você também me amava. Sabia que me amava porque você sempre esteve comigo. Nunca quis me deixar, assim como eu nunca quis deixar você. Sabia que me amava porque também tinha medo de ter tudo o que sempre quis com alguém e que esse alguém fosse eu. Eu nunca fui perfeita para você, mas eu te amava.
E neste ponto eu já não conseguiria conter as lágrimas. Eu levantaria e diria que precisava ir, porque eu já sabia sua resposta. Eu caminharia sem esperar que fosse atrás de mim, sem esperar que chamasse meu nome. Sem esperar que pudesse me amar, assim como eu te amo.
Nós nunca mais nos veríamos. E quando nos reencontrássemos eu já estaria com outra pessoa. E eu diria que estava feliz, mesmo sabendo que você é e sempre foi meu único amor.

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