Um Brinde Ao Futuro Incerto
Caro amigo,
Vou lhe contar sobre a maldita rua de tijolinhos. Certo dia estava eu, descendo a rua de tijolinhos com meu irmão. Nós estávamos conversando, eu estava de tênis e calça jeans, agora, me conhecendo bem, você saberia que sou propensa a cair quando ando. Ele havia me dito para prestar atenção no caminho, eu ri. Disse que era impossível eu cair naquelas condições também disse que conhecia a rua muito bem. Dei mais quatro passos e cai. E não foi um simples tombo. Eu cai feio!
É um momento comum e pode acontecer com qualquer pessoa, mas são desses pequenos momentos que eu tenho as lições mais inesperadas. Os meus momentos traumáticos não me proporcionam esse tipo de lição, eles me proporcionam força apenas.
Já notou que eu ando olhando para o chão? Desde aquele dia, comecei a olhar onde piso. Em todas as situações, não só quando eu ando.
Não sei se percebe, mas antes de dar informação a qualquer pessoa, eu faço perguntas apenas sobre elas, pouco falo sobre mim. Um modo de tornar tudo previsível.
Confesso que, assistindo a filmes com você, lendo livros, mangás completamente bizarros, me faz lembrar da minha essência. Por que estou falando isso agora e desse jeito? Imagino o pouco que sabe sobre mim e mesmo assim ainda comecei a carta lhe chamando de "amigo". Estava te rondando, como faço com qualquer pessoa. Vendo onde ponho meus pés. Hoje, eu fui eu. Será que foi capaz de perceber?
Me lembro de uma vez em que discuti com o professor da sala, por causa de um cancelamento de uma prova, a qual eu nem tinha ido bem, mas que era completamente injusto. Fui aplaudida pelos meus colegas.
Quando discuto idéias, falo sobre políticas, valores, penso em evolução, esta sou eu. Tenho todos estes pensamentos, apenas os guardei para mim e por um tempo fingi os esquecer. Percebo o quanto isso é estúpido da minha parte, por que escondi o meu melhor e enquanto lhe escrevo estas palavras, fico me lembrando das minhas discussões que eu tive com meu pai sobre as eleições, como meus amigos achavam que eu devia fazer parte do Greenpeace e todas as revoltas que eu tive com as injustiças que me aconteceram.
Hoje, senti todas essas coisas de novo enquanto caminhava com você. Aquele sentimento de que eu seria capaz de começar uma revolução se quisesse! Vejo esse potencial em você também, por esta razão não acho que as coisas que você gosta são bizarras, mesmo você não sabendo o que te aguarda, vejo determinação, porém falta força de vontade. Não sou melhor que você, e força de vontade também me falta.
Creio que na condição em que vivemos, crescimento exige um grande esforço!
Pode ser que meus dias de discussões com professores tenham se passado rs, mas retomarei tudo aquilo que eu me neguei, e gostaria de ver você fazer o mesmo.
Finalmente me permito ter esperança. Mas posso esperar por você também?
Com amor,
Jéssica.

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